O objetivo da Repsol YPF nas suas atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural, é o crescimento rentável e diversificado. Os pilares desta estratégia são: o crescimento em produção e reservas, a diversificação geográfica da actividade, a excelência operativa mantendo-se como um operador de baixo custo, com um incremento nas margens unitárias médias de rentabilidade.
Os projetos prioritários e nos quais se concentrarão os esforços da companhia são os projetos de produção de petróleo bruto na América Latina e no Norte de África, os de produção de gás natural na América Latina e no Caribe e os projetos integrados de gás natural liquefeito nas costas Atlântica, do Pacífico e do Mediterrâneo juntamente com um aumento da atividade exploratória de petróleo. De acordo com a sua estratégia de crescimento rentável da atividade, a Repsol YPF empreendeu projetos em áreas de interesse preferencial para o desenvolvimento futuro da companhia.
Entre estes projectos mais relevantes destacam-se os da Argélia, Irão e Arábia Saudita. Ao mesmo tempo e orientada pela diversificação, reforçou a sua posição estratégica na Líbia, Trinidade e Tobago e na Venezuela. Tudo isso sem descuidar a presença noutras áreas geográficas como a Bolívia, a Argentina e os Estados Unidos num firme compromisso com os objectivos estratégicos enunciados. A 31 de Dezembro de 2004, a Repsol YPF tinha interesses em activos de exploração e produção de petróleo e gás em 24 países, directamente ou através das suas subsidiárias, sendo operadora em 20 deles.
Em 2004, a produção média de hidrocarbonetos foi de 1.165.800 BEPD com um aumento de 2,9% relativamente à produção de 2003, o que se deve, em boa medida, à maior produção de gás, 11,2% superior à do ano anterior. A produção de gás em 2004 foi 3.360 milhões de pés cúbicos por dia (MSCFD) equivalentes a 598.500 BEPD. Este aumento aconteceu fundamentalmente na Argentina e na Bolívia. Também se aumentou a produção de gás em Trinidade e Tobago em 13,5% relativamente ao ano anterior, pelo funcionamento durante todo o ano do trem nº 3 e ao início de produção da instalação Atlas Metanol, compensando a perda de produção por problemas operacionais.
A produção de líquidos em 2004 (567.300 BblD) diminuiu 4,6% relativamente a 2003. Os incrementos na Bolívia, Equador, Líbia, Venezuela e Colômbia compensaram parcialmente as menores produções fundamentalmente na Argentina, Trinidade e Tobago e no Dubai. Os efeitos prejudiciais afectaram em 9.800 BblD, devido às greves e problemas operativos na Argentina, Trinidade e Tobago, assim como ao efeito que os altos preços do crude têm nos PSC (contratos de repartição de produção) na Argélia e aos preços de manutenção neste país. Sem estes efeitos a diminuição na produção de líquidos teria sido de 2,9%.
O resultado operativo da atividade em 2004 ascendeu a 2.638 milhões de euros, face aos 2.352 milhões de euros obtidos no exercício anterior, o que supõe um aumento de 12,2%. O cash-flow operativo ascendeu a 4.143 milhões de euros, face aos 3.688 milhões de euros de 2003.
No crescimento do resultado operacional influíram positivamente os maiores preços internacionais do petróleo, a melhoria nos preços de produção do gás e o aumento na produção e venda de gás, fundamentalmente na Bolívia, a Argentina e Trinidade e Tobago. Em sentido contrário o resultado foi afectado pela depreciação do dólar frente ao euro; as maiores amortizações de exploração e, na Argentina, o efeito de greves, a aplicação do imposto à exportação de gás natural, assim como o aumento do imposto à exportação de petróleo e produtos com os consequentes menores preços de transferência interna e de venda de petróleo a terceiros. Também em sentido contrário afectou, na última parte do ano, o excesso de oferta de crudes pesados com a correspondente abertura dos diferenciais para estes crudes.
Em Maio de 2004 o governo argentino aumentou o imposto às exportações de petróleo entre 20% a 25%. Adicionalmente, estabeleceu para as exportações de gás natural uma retenção de 20%, e para as gasolinas 5%. Posteriormente, em Agosto, e como consequência do aumento dos preços internacionais de petróleo, aconteceu um novo aumento do imposto às exportações de petróleo, acima dos 25% vigentes com quotas adicionais variáveis entre 3% e 20% para preços do crude West Texas Intermediate (WTI) entre 32 e 45 $/Bbl, respectivamente. O pagamento total de retenções foi de 126 milhões de dólares, dos quais 111 milhões correspondem às exportações de petróleo e 15 milhões às exportações de gás natural.
O preço médio de venda do cabaz de líquidos da Repsol YPF foi de 30,85 dólares/barril, (24,83 euros/Bbl) face aos 25,52 $/Bbl de 2003 (22,58 euros/Bbl). O preço médio do gás em 2004 situou-se em 1,29 $/kSCF, 20,6% superior ao do ano passado. Este aumento deveu-se principalmente ao maior preço de produção do gás na Argentina e ao maior peso relativo da Trinidade e Tobago nas vendas totais, com preços superiores à média da companhia. O preço médio do gás na Argentina alcançou os 1,07 $/kSCF, 25,9% superior ao de 2003, reflectindo os incrementos escalonados de preços aprovados pelo Governo argentino a industriais, grandes utilizadores, centrais térmicas e gás natural canalizado (GNC) que se produziram em Maio e Outubro.
Quanto aos custos, a desvalorização do peso argentino face ao dólar americano, desde finais de 2001 até o período 2003-2004, no qual se estabilizou em torno dos 3 pesos por dólar, e do dólar face ao euro nos anos 2003 e 2004, continuou a repercutir-se favoravelmente num menor custo em euros dos investimentos e numa melhoria dos custos operativos relativamente aos valores anteriores a 2002.
Os rácios de custos da companhia situam-se entre os mais eficientes do sector, com um custo de extracção (lifting cost) que foi de 1,93 $/BEP em 2004. Relativamente a 2003, isto significa um aumento de 12,2%. Este aumento localizou-se fundamentalmente na Argentina devido à inflação acumulada, à renegociação de contratos e à maturidade dos campos que têm directamente impacto no aumento dos custos.
É de destacar que, desde o início de 2004, se consolidaram pelo método de integração proporcional na área de exploração e produção, os resultados operativos das sociedades participadas operadoras dos trens de liquefacção 1, 2 e 3 da Trinidade e Tobago. Em 2004 a contribuição para os resultados operativos destas actividades ascendeu a 75 milhões de euros.
A venda dos activos de Jambi Merang, na Indonésia, gerou um acréscimo de 12,3 milhões de euros. Os investimentos acumuladas no exercício de 2004 ascenderam a 1.183 milhões de euros, 45,4% inferiores aos do exercício 2003 (2.168 milhões de euros) que incluíam o pagamento da opção de compra de 20% adicional dos activos de BPRY na Trinidade e Tobago. Os investimentos em desenvolvimento representaram 70% do investimento total e foram realizados fundamentalmente na Argentina (65%), na Trinidade e Tobago (10%), na Bolívia (7%), na Venezuela (6%), e em menor percentagem na Líbia, no Equador e no Brasil.
Última actualización: 24 Ago 2005