Um erro do piloto da Repsol no início da especial impede-o de lutar por uma vitória. Luc Alphand terminou em quarto lugar da geral e Jordi Viladoms em sexto lugar nas motos.
Ainda não foi desta. Um erro de Peterhansel, reconhecido como vencedor de 3 edições do Dakar em carros, proporcionou a segunda posição ao piloto da Repsol Mitsubishi Ralliart Team e a vitória de Carlos Saenz em VW Touareg no Rally da Europa Central, primeira prova do Dakar Séries. A jornada de hoje pôs um ponto final a um rally que será recordado por muitos pela brilhante e emocionante disputa que mantiveram dois dos melhores pilotos do mundo de ralis.
Peterhansel e Sainz, Sainz e Peterhansel chegaram a esta prova com uma diferença de apenas 18 segundos, após quase 10 horas de troços cronometrados. A noite passada deve ter sido sem dúvida longa para estes pilotos, que estavam conscientes do alto ritmo que estavam a impor na sua luta pela vitória final, um ritmo que apenas Alphand, Roma e Depping tinham conseguido manter até ontem pela manhã.
A vitória de Saenz não abafou a impressionante actuação do piloto da Mitsubishi Ralliart Team, que mediu forças até ao último troço com o campeão do mundo de rallyes WRC. O erro que cometeu hoje Peterhansel impediu que o francês pudesse disputar-lhe o troço final ao espanhol, desde praticamente o início da especial. O francês sabia que a especial de hoje era igual à de ontem mas em sentido contrário. No entanto, havia uma pequena alteração que desconhecia: o troço não entrava numa zona de bosque, tal como tinha acontecido no dia antes, uma zona de bosque que precedia uma grande recta levava até à meta. Mentalizado em atacar desde o primeiro metro da especial, ao chegar ao final da recta Peterhansel virou à esquerda para penetrar no bosque, enquanto o seu co-piloto Cottre lhe dava conta rapidamente do seu erro. O binómio, vendo que não podia dar meia volta, devido a que a pista era muito estreita, optou por seguir em frente e recuperar a pista certa um pouco mais à frente. Resultado: quase um minuto perdido. Depois disto Peterhansel optou por completar o resto da especial a um ritmo mais rápido mas sem arriscar um possível acidente para poupar uns segundos. Um minuto de desvantagem, com Sainz na cabeça, já era demasiado para reagir. Por fim, Peterhansel terminou em quarto lugar esta especial e fou segundo na geral, a 2 minutos e 1 segundo do vencedor depois de mais de 11 horas de troços cronometrados.
O colega e compatriota de Peterhansel na Repsol Mitsubishi Ralliart Team, Luc Alphand, não conseguiu chegar à terceira posição do pódium na sua luta com o alemão Depping e o seu VW, sendo quarto no final do rally do Centro da Europa. Nani Roma, regressado hoje à prova, conseguiu o sexto melhor tempo da especial, ainda que as 5 horas de penalização depois do seu abandono de ontem o colocaram numa posição muito atrás na classificação geral. Roma aproveitou a jornada de hoje para realizar provas nas suspensões e em aspectos fora do regulamento habitual. Além disso, o piloto da Repsol saiu com ordens expressas de não correr riscos desnecessários tendo em conta que não tinha nada para ganhar.
Nas motos, Jordi Viladoms assegurou a sexta posição final no Rally da Europa Central. Hoje marcou o quarto melhor tempo numa especial onde foi assegurar a sua posição na tabela geral. O piloto da Repsol KTM Team mostrou-se satisfeito após um início de rally algo complicado e do difícil terreno com que se deparou nos primeiros dias, um terreno onde reconheceu ter-se sentido cómodo.
Protagonistas
Carros
Stéphane Peterhansel
“Esta manhã pensava que era exactamente a mesma especial que ontem e na minha cabeça estava totalmente condicionada para fazer exactamente o mesmo percurso. Ontem, a certo ponto entrávamos num bosque e, em vez disso, hoje a organização dediciu que não se passava por esse bosque.
Jean Paul, o meu co-piloto, disse-me para seguir a direito, mas não ouvi e apanhei a mesma pista que ontem. Perdi um minuto nesse bosque, e cedendo tempo sobre Carlos Sainz, convenci-me de que seria demasiado perigoso e arriscado tentar ir ao ataque para recuperar essa margem. Assim achei que seria uma pena arriscar o carro e, ainda por cima, perder a segunda posição, pelo que conformei-me com o posto que segurei.”
Luc Alphand
“Foi uma pena, porque no final terminámos em quarto e não estamos no pódio. É o que há. Foi uma verdadeira batalha durante toda a semana. Estávamos à frente no primeiro CP. Lutámos muito e efectivamente tentámos que o carro desse o máximo. Não cometemos erros de navegação.
É uma pena, mas o desporto é assim. Terminámos em quarto, chegámos com o carro inteiro à meta e passámos uma boa semana durante a qual aprendemos muito. O ritmo foi muito rápido e eu progredi um pouco. O resto é desporto.”
"Nani" Roma
“Hoje foi um dia mais difícil que o esperado, porque quando se sai sem um objectivo fixo é difícil manter a concentração e não cometer erros. Mas foi um dia produtivo, testámos umas regulações diferentes da suspensão e obtivemos umas informações muito interessantes.
No que diz respeito ao global da prova, creio que foi diferente, difícil e complicada. Há meses que não competia com este carro e o certo é que me custou um pouco ao princípio manter-me na prova, porque para além da minha falta de ritmo, nasceu o meu filho, Marc, e, para além de a minha mulher ter estado sem mim, ainda não o conheci. Nunca tinha corrido com este carro nas condições que apanhámos nos primeiros dias, com tanta chuva, água e argila, mas aprendi muito e o balanço é muito positivo. Percebi que posso pilotar muito rápido e estive, até ao momento do problema mecânico, muito próximo de Sainz e do meu companheiro Peterhansel. Agora há que pensar na próxima prova em Portugal, onde correrei com o Mitsubishi MPR14 com motor diesel.”
Motos
Jordi Viladoms
“Faço um balanço muito positivo desta competição. Foram umas condições um pouco diferentes do que estávamos habituados e um terreno difícil, com muito barro e pedras.
Foi uma prova com muito ritmo, sem termos apenas a navegação, uma vez que estava tudo muito bem indicado. De qualquer das formas, fez-me muito bem fazer tantos quilómetros, já que é o que tenho de trabalhar. Terminámos uma prova difícil; isso é algo que me dá confiança e me ajudou a ganhar mais ritmo para as próximas competições”.
Team Manager
Dominique Serieys, Team Manager Repsol Mitsubishi Ralliart
“Hoje, depois de sete dias de provas, ficamos com uma grande satisfação. Pode parecer estranho, já que não ganhámos, mas em todo o caso fizemos um bom rally. Houve muita rivalidade, com muito poucas diferenças entre os cinco ou seis primeiros que não foram além dos quatro ou cinco minutos
Houve alguns concorrentes muito competitivos que nas provas conseguiram uma velocidade impressionante. Estou muito satisfeito com o rendimento de Stéphane Peterhansel e de Jean Paul Cottret. Infelizmente, outros pilotos como Nani Roma com Lucas Cruz e Hiroshi Masuoka com Pascal Maimon não conseguiram consolidar as suas boas posições. Nani, do meu ponto de vista, fez um dos seus melhores rallies. Está a fazer uma progressão muito boa e tem confiança. Luc Alphand também fez um muito bom rally, com uma luta muito forte pela terceira e quarta posições, que terminaram a poucos segundos. Começámos o projecto diesel. Parece-me algo muito arrojado e durante os primeiros dias com Masuoka e Maimon vimos que o rendimento é muito promissor. Dentro de três semanas começa o rally Transibérico, no qual participarão Alphand, Peterhansel e Roma, este último pela primeira vez com o carro diesel. Assim vamos voltar rapidamente a França para prepararmos este novo desafio. Este Rally Centroeuropeo foi uma semana muito intensa, com uma forte presença dos meios de comunicação, com um clima totalmente diferente e um percurso muito difícil. Desta forma podemos estar satisfeitos por ter aqui os quatro carros, e ainda que não tenham chegado todos à meta, estão em bom estado.”