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Norte de Portugal

Conta a história de Portugal que o país nasceu na sua zona norte, a mesma que gira em torno do vinho do Porto, o segundo núcleo urbano mais relevante do país. O norte de Portugal é uma área montanhosa de declives acentuados, uma paisagem verde, de vinhedos e regado pelo Douro . Importante reduto de fé, onde a herança religiosa deixou sua marca em relevo cultural em templos e ermitas ao longo de sua geografia.

Porto
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  Um antigo porto romano - PORTUS - deu o nome a um importante lugar quer a nível comercial quer estratégico, situado na margem direita da foz do rio Douro. Na mesma época, existia a vila simétrica e rival, de Cale. Durante a resistência dos cruzados aos invasores muçulmanos (meados do s. X), Portucale foi dado como dote a D. Teresa de Leão ao casar-se com D. Henrique de Borgonha (1095). Deste condado, nasceria o nome glorioso de uma nação. O Porto é hoje a Segunda cidade de Portugal com os seus quase 400 mil habitantes. Famosa pelos vinhos que envelhecem nas caves de Vila Nova de Gaia. A cidade foi crescendo no local onde antes se situava Cale, possuindo hoje numerosos monumentos, testemunhos de diversas épocas. Dos suevos, restam as muralhas que defendiam o burgo situado então na actual colina da Sé da qual se conservam apenas partes. A primeira pedra da Sé Catedral foi benzida e colocada em 1145, quando a raínha D. Teresa já tinha enviúvado de D. Henrique. Esta obra de estilo românico, sofreu várias alterações ao longo dos séculos, destacando-se as de inspiração barroca, levadas a cabo pelo florentino Nicolo Nassoni. Anterior à Sé é a Igreja românica de Cedofeita - que em latim significa "feita depressa", cujas origens remontam possivelmente ao s. VI, o que a torna a igreja cristã mais antiga da Península. Do período gótico, é notável a Igreja de São Francisco (meados do s. XIII e princípios do s. XIV) com um magnífico altar-mor e altares laterais literalmente banhados a ouro. Também deste período é a Igreja de Sta Clara assim como algumas partes da antiga casa do Infante D. Henrique. A cidade do Porto é especialmente rica em monumentos religiosos do s. XVII. São exemplo, a Igreja de S. Bento da Vitória, dos Carmelitas, dos Congregados, da Misericórdia, quase todas com admiráveis azulejos. O s. XVIII foi a época do grande Nicolo Nassoni, arquitecto toscano cuja vida foi passada quase na sua totalidade na cidade do Porto. Nassoni criou um estilo muito peculiar de barroco com imensa criatividade e paixão. Recordemos apenas a Igreja dos Clérigos com o seu campanário totalmente a descoberto de 76 metros que era a atalaia do Porto e, por muito tempo, foi a torre mais alta de Portugal; a Igreja da vizinha cidade de Matosinhos, o Palácio do Freixo nas margens do Douro, o Palácio Episcopal, a igreja do Mosteiro da Serra do Pilar, etc. Do barroco, encontramos a igreja do Carmo. Já a igreja da Lapa, a Universidade do Porto, o Hospital de Santo António e a antiga Alfândega, são de estilo neoclássico. Dada a relação geográfica entre a cidade do Porto e Vila Nova de Gaia, divididas pelo rio, houve necessidade de construir pontes. Desaparecida que estava a ponte de Barcas inaugurada em 1806, o século não terminaria sem que não fossem construídas novas pontes. A primeira destas foi a de D. Maria Pia, obra da autoria do francês Eiffel que, atendendo às exigências dos caminhos de ferro, foi inaugurada em 1877. Nove anos depois, abriu a ponte de D. Luís, construída pela companhia belga Willebroeck, sob a direcção de Teophile Seyrig. Trata-se de uma bela ponte com tabuleiro duplo, servindo assim dois níveis distintos de comunicação. Já no s. XX, o engenheiro Edgar Cardoso projectou e construiu no Porto duas novas e magníficas pontes: a da Arrábida (1963), de betão armado, e a de São João (1991) que une por ferrovia o norte e o centro de Portugal. Cidade com notáveis museus, são obrigatórios: Museu Soares dos Reis (obras do célebre escultor), a Casa Museu de Guerra Junqueiro (palácio de Nassoni que contém as colecções reunidas pelo poeta), Museu de Etnologia (os antigos usos e tradições do Porto). Saliente-se o maravilhoso quadro conhecido por "FONS VITAE", de Colyn de Coter, pintado no princípio do s. XVI para D. Manuel I, que se encontra na casa da Misericórdia. Para concluir esta lista, embora incompleta, de monumentos portuenses, não se pode esquecer o Palácio da Bolsa com o seu exótico salão árabe (s. XIX) e a estação de S. Bento (princípios do s. XX) em pleno centro da cidade, com admiráveis azulejos que retratam momentos históricos. 

Arredores:
  A 13 km Pedras Rugas, a 11 km de Leixões, a 19 km de Espinho, a 27 km de Santo Tirso e a 30 km da Póvoa do Varzim. Artesanato: Cerâmicas, miniaturas de barcos de madeira, bordados, joalharia (filigrana), azulejo, restauro, vitrais, encadernação e marionetes. Palmitos de papel, penas e palhão, e as velas de cera bordadas. Gastronomia: Bacalhau à Zé do Pipo, peixe com todos, prato de lampreia, tripas à moda do Porto, cabrito no forno e arroz de frango. Francesinhas.

 


Braga

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  A antiga Bracara Augusta, primeira capital das Espanhas, é rica em monumentos religiosos. Catedral do s. XII: Imagens de Nossa Senhora de Leite, tesouro, retábulos, órgãos, Capela da Glória, Capela dos Reis, Capela de São Geraldo. Antigo Palácio Episcopal, Capela dos Coimbras. Museu dos Biscainhos. Capela de Nossa Senhora da Penha de França. Capela dos Coimbras. Igreja de Santa Cruz. Duas curiosidades: a fonte pagã Idolo e a Casa das gelosias (s. XVII). 

Arredores:
  Seguindo pela EN 103 e EN 309, visita aos Santuários do Bom Jesus do Monte (s. XVIII), N.ª Sr.ª do Sameiro (s. XIX) e Santa Maria Madalena em Falperra (s. XVIII), todos famosos pelas suas peregrinações e vistas panorâmicas. Mosteiro de S. Martinho de Tibães (s. XVIII). Capela visigótica de S. Frutuoso de Montélios (s. VII). Artesanato: Trabalhos em Madeira, especialmente o pequeno instrumento musical denominado cavaquinho ou viola braguesa. Olaria, artigos de vime e palha, mobiliário decorativo, ferro forjado, latoaria, rendas e bordados, tapetes, tecelagem, mantas de farrapos, paramentos e arte sacra. Gastronomia: Frigideiras de carne, rojões de porco, papas de sarrabulho, cabrito e vitela assado, bacalhau à Narcisa, arroz de pato e de"pica no chão". Na doçaria: pudim à Abade de Priscos, fidalguinhos, pederneiras, paciências, sameiros, levêdos, charutos de chila, moletes, súplicos, mexidos e doce branco.

 

Vila Real
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  Junto à Serra do Marão. Cidade com grande diversidade de arquitectura religiosa: Sé Catedral, a Igreja do Convento de S. Domingos (s. XV), Capela de S. Brás, em estilo gótico (s. XV); Igrejas de S. Pedro e da Misericórdia (s. XVI); Igreja de S. Dinis (s. XVI-XVIII) e, em estilo barroco, a Capela Nova e a Igreja dos Clérigos. De visitar também é o Palácio de Mateus, obra-prima do barroco e palco de acontecimentos culturais. Mosteiro de Santa Clara, do s. XVII, dedicada a Nossa Senhora do Amparo. Mosteiro de S. Domingos, do s. XV. Foi destruido por um incêndio no s. XIX. Casa de Diogo Cão. Paços do Concelho. Pelourinho. Capela de S. João da Fraga, do s. XVI, com panorama sobre o rio Corgo. Capela do Senhor do Atalho, do s. XIX. 

Arredores:
  Povoações da Serra do Alvão com as suas casas de pedra e telhados de colmo ou xisto Parque Natural do Alvão. Também é aqui, neste Parque, que se situam as cascatas mais extensas de toda a Península Ibérica, denominadas por Fisgas de Ermelo. Santuário rupestre de Panóias. Artesanato: Bordados de Agarez, utensílios de barro de Bisalhães. Gastronomia: Alheiras, bola de carne, cozido à portuguesa, cabrito assado, bacalhau à espadeiro, bacalhau com batatas a murro e tripas aos molhos. Doçaria: pastéis de toucinho-do-céu, covilhetes, pitos, ganchas e sarrabulho doce.


Bragança
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  Exemplo de uma cidade medieval rodeada por muralhas. Antigo Domus Municipalis medieval (s. XII) considerado como o município mais antigo de Portugal. Castelo (s. XIII), Torre da Princesa, Cidadela. Realce para a Sé patriarcal (s. XVI), a Igreja de Santa Maria, a capela da Casa da Misericórdia, o convento da Igreja de Santa Clara (s. XVI), o convento e Igreja de S. Bento (s. XVII-XVIII). Pelourinho interessante erguido sobre "a porca da vila". Igreja de S. Francisco, Igreja de S. Vicente, Igreja de Sacoias, Cruzeiro, Torre de Menagem e Solar dos Calaínhos. Solar dos Sá Vargas, Casa do Arco ou Solar dos Pimentéis e outras casas aristocráticas. 

Arredores:
  Babe - igreja matriz e castro. Baçal - Casa do Abade de Baçal e castros. Castro de Avelãs - igreja (s. XI), castro, pontão romano, mosteiro. Parque Natural de Montesinho. Artesanato: Tecelagem, couros, buréis, olaria, cestaria, trabalhos em cobre. Gastronomia: Cozido à transmontana, cabrito branco. Enchidos da região (alheiras, salpicões, etc) e o presunto. Também os folares da Páscoa são uma especialidade.



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